Já que não entendo o país, vamos falar de moda?


Do noticiário incompreensível às eternas regras da elegância: às vezes o guarda-roupa faz mais sentido que o país

Sinto que o nosso país anda… estranho.
Nem complexo demais, nem simples de entender. Apenas estranho.

Eu mesma afirmo — meio na dúvida — que já não entendo mais nada. Quando ouço uma notícia, desconfio. Quando não dou a mínima, descubro depois que era sério.

Dizem que o país cresce a olhos vistos, que o emprego vai bem, que o dinheiro circula. Enquanto isso, aqui na minha mesa, os boletos continuam chegando com uma pontualidade britânica. E, modestamente falando, pagá-los segue sendo uma atividade olímpica.

Minha bolha anda um pouco abalada.
Mas fico feliz ao ver que a bolha de muitos amigos permanece em franca expansão — tranquila, otimista, certa de um futuro próximo brilhante.

Se para alguns esse futuro já chegou, para mim ele parece mais um looping: uma repetição contínua de eventos passados, sempre atualizados, mas curiosamente imóveis. Vai e volta… e nada sai exatamente do lugar.

Diante disso, pensei em falar de moda.
É um assunto muito mais tranquilo — e curiosamente mais coerente.


A moda também se repete através dos tempos, mas sempre traz alguma inovação, um pequeno ajuste, uma nova leitura. Em outras palavras: muda sem negar o que já existia. Algo que, convenhamos, as sociedades também poderiam tentar fazer com mais frequência.

Lembro que, há mais de vinte anos — sim, vinte — quando eu escrevia sobre tendências para aquelas revistas mensais que faziam parte da nossa rotina (quem lembra de Vogue, Claudia ou Marie Claire?), um tema recorrente era como a mulher GG poderia deixar o visual mais leve, elegante e confortável.

Curiosamente, de lá para cá, pouca coisa mudou. Algumas ideias continuam tão válidas quanto naquela época:

• Prefira modelagens fluidas — saias e vestidos longos ou midi, com fendas discretas e tecidos leves, que acompanhem o movimento do corpo. Tecidos muito pesados, cheios de babados, franzidos ou pregas tendem a acrescentar volume desnecessário.

• Nas calças, cortes retos ou mais amplos costumam funcionar melhor, especialmente com cintura um pouco mais alta.

• Cores escuras como preto e azul-marinho ajudam a alongar a silhueta, mas isso não significa viver em luto fashion. Uma blusa colorida ou estampada pode deixar o visual mais alegre — e até mais bem-humorado.

• Camisão com legging? Melhor deixar para a academia. No dia a dia, costuma envelhecer o visual — e isso vale até para quem veste manequim P.

• Decotes em V são ótimos aliados: alongam a silhueta e trazem leveza, principalmente em malhas finas e mais soltas.

• Para combinar com calças amplas, funcionam bem blusas transpassadas, gola halter, decote canoa, modelos peplum ou camisas de alfaiataria em tecidos leves, como seda ou cetim.

• Cintos também ajudam a finalizar o visual, especialmente quando a blusa é usada por dentro da calça.

• Estampas? Aposte sem medo: listras, poás e até um bom animal print podem funcionar muito bem.

E, por fim, um conselho que vale tanto para a moda quanto para a vida:

Ninguém está prestando tanta atenção em você quanto você imagina.
Portanto, ouse.


Lia Estevão - Jornalista

Expert na criação de albuns de fotografias digitais