Tem atividade mais prazerosa do que pegar um garotinho (sobrinho, filho, neto) de mais ou menos 3 anos e ir passear num desses parquinhos lotados de brinquedos interativos? Os pequenos, incansáveis, entram em transe, correndo de lá para cá, caindo, levantando, gritando. Uma delícia de ver e participar. Para eles, quanto mais perigoso, melhor. Para nós, cuidados dobrados.
Lembro do
Pedro Henrique, meu sobrinho adorado, quando o levei pela primeira vez ao São Carlos Clube.
Ele estava tão feliz, com seus dois aninhos, que mal entrou no Clube e saiu na
disparada pelo florido corredor de entrada, que termina no tal parquinho. Que
medo dele se "esborrachar" naquele chão de cimento! Engano meu. Chegou
rapidinho, entrou na areia e, quando vi, já estava tentando subir no maior
escorregador que tinha. Sem medo, sorrindo feliz.
Pois é, meus amigos, diversão total. Muitas crianças em todos os brinquedos, pais alertando, segurando, fazendo "quase" tudo o que eles pediam. Para o Pedrinho, um novo mundo se apresentava e, pasmem, para mim também. Foram quatro horas de muita animação, brincadeiras. Amigos, nunca fui tão "babona".
E o mais curioso é que, depois de algum tempo, a gente já nem sabe quem está se divertindo mais. Se a criança, que descobre o mundo pela centésima vez naquele único dia, ou o adulto, que redescobre o mundo através dos olhos dela.
Pedrinho
se encantava com tudo. Com a areia que escapava pelos dedos, com o balanço que
parecia levá-lo até as nuvens, com o escorregador que ele descia como se
estivesse vencendo uma etapa da Olimpíada. Cada pequena conquista era
comemorada com um sorriso daqueles que não pedem curtidas, não precisam de
filtros e nem de aprovação de ninguém. Apenas existem. E iluminam.
Confesso que passei boa parte da tarde observando seu rosto. Há algo de profundamente terapêutico em ver uma criança feliz. Enquanto nós, adultos, passamos os dias fazendo contas, enfrentando notícias ruins, filas, prazos, dores nas costas e preocupações que parecem não ter fim, elas vivem o momento presente com uma competência invejável.
Um
escorregador basta.
Uma pá de
plástico basta.
Uma poça
d'água, então, é praticamente um parque temático.
Talvez
seja por isso que, depois de algumas horas acompanhando uma criança, a gente
volte para casa mais leve. Não porque os problemas desapareceram. Continuam
todos lá, educadamente esperando nossa volta. Mas porque, por algumas horas,
fomos obrigados a desacelerar e a lembrar que a alegria pode morar em coisas
muito pequenas.
Pedrinho
certamente voltou para casa cansado. Eu também. A diferença é que ele dormiu
depois de um dia de aventuras. Eu já dormi depois de uma aula.
Uma aula sobre coragem, curiosidade, entusiasmo e sobre essa capacidade maravilhosa que as crianças têm de transformar uma tarde comum numa lembrança inesquecível.
Lia Estevão - Jornalista
Produtora de conteúdo para redes sociais
Expert na produção de fotolivros com fotos digitais (celular)
Whatsapp: (16) 9.9165-4497

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