Boa tarde, meus amigos.
Preciso confessar uma coisa meio indigesta: ando com dificuldade de acreditar em quase tudo o que leio quando o assunto é política. Não importa se vem da chamada “imprensa tradicional” ou da tal “alternativa”. Às vezes, confesso, me pego acreditando mais em um vídeo caseiro no Instagram do que em um editorial cuidadosamente elaborado.
O que não quer dizer que eu esteja certa. Quer dizer apenas que estou desconfiada.
Minha postura hoje é menos de convicção e mais de sobrancelha levantada. Ando numa fase “hum… será?”. Porque, convenhamos, é difícil navegar num ambiente em que quase todo mundo parece ter lado definido, bandeira hasteada e torcida organizada. Jornalismo virou novela das nove — só que com comentaristas inflamados e plateia dividida.
E eu me pergunto: qual deve ser o perfil do jornalista brasileiro para sobreviver — e, mais que isso, manter credibilidade — num país que transformou opinião em identidade?
As pesquisas não ajudam a responder essa indagação. O Reuters Institute mostra que a confiança no jornalismo brasileiro está no pior nível em mais de dez anos: apenas cerca de 42% dizem confiar nas notícias. Quarenta e dois por cento. É quase um “talvez” coletivo.
De um lado, há quem jure que os grandes veículos são militantes disfarçados, que escondem um lado e amplificam o outro. Do outro, há quem diga que a imprensa é conivente, leniente, cúmplice. Dependendo de quem lê, o jornalista vira herói ou vilão antes mesmo do segundo parágrafo.
No meio disso tudo, as redes sociais viraram o principal balcão de notícias. YouTube, Instagram, WhatsApp. A informação circula mais rápido que a reflexão. E junto com ela vêm os influenciadores, os comentaristas instantâneos, os especialistas de feed. Há quem diga que o jornalismo profissional perdeu espaço para os “colunistas de Twitter” — que, aliás, nem sempre têm o compromisso de apurar antes de opinar.
O resultado? O jornalista brasileiro virou um eterno suspeito. Se escreve algo que desagrada, é “petista disfarçado”. Se questiona o outro lado, é “bolsonarista enrustido”. Se tenta ponderar, é “falso neutro”. Se viraliza, é “caçador de likes”. Quase ninguém escapa.
Some-se a isso a inteligência artificial produzindo textos em escala industrial, eleições se aproximando em 2026, e um país que já acorda cansado antes mesmo do café. O cenário não é exatamente tranquilo: polarização, imediatismo, excesso de opinião travestida de informação.
Confesso mais uma vez: não sei exatamente como me comportar, mas procuro um caminho de lucidez. Questionar sem desacreditar de tudo. Desconfiar sem virar conspiracionista. Ler com espírito crítico, mas sem perder a boa-fé.
Afinal, quando todo mundo grita verdades absolutas, pensar virou um ato quase subversivo.
E se esta reflexão fez sentido para você, compartilhe.O debate público agradece.
Lia Estevão - Jornalista
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