São decisões que não comportam descuido. Precisam ser guiadas não por paixões momentâneas, mas pelo Brasil que desejamos construir. Que vença a maioria, seja qual for. E que essa maioria tenha, ao menos, a chance de trabalhar pelo país em que acreditou. É isso.
Hoje, amigos, vou compartilhar alguns fatos históricos sobre a Ditadura Militar no Brasil (1964–1985) — fatos que muita gente desconhece ou lembra de forma simplificada demais. Eles mostram um período cheio de contradições: houve repressão brutal, mas também crescimento econômico; censura severa, mas também apoio popular em determinados momentos; tortura, mas uma anistia ampla no final. São elementos que ajudam a enriquecer o debate, sem cair em visões maniqueístas do tipo “foi só bom” ou “foi só ruim”.
O regime começou com apoio significativo de setores da sociedade civil. Em março e abril de 1964, as Marchas da Família com Deus pela Liberdade reuniram centenas de milhares de pessoas em São Paulo, no Rio e em outras capitais. Jornais como O Globo e a Folha de S.Paulo apoiaram abertamente o golpe. Parte da classe média temia a chamada “comunização”, diante das reformas propostas por João Goulart. Esse apoio começou a se desfazer apenas anos depois, com o endurecimento da repressão e, mais adiante, com a crise econômica dos anos 1980.
Houve, sim, crescimento econômico expressivo durante o chamado “Milagre Brasileiro”, entre 1968 e 1973, quando o PIB cresceu, em média, cerca de 11% ao ano. Grandes obras foram realizadas, como a Transamazônica, a Ponte Rio–Niterói e Itaipu. Mas esse crescimento foi financiado por endividamento externo e repressão salarial. Greves eram proibidas. Quando veio a crise do petróleo, em 1973, a conta chegou: inflação elevada e recessão marcaram a década seguinte.
A censura foi pesada, embora não absoluta. Censores do DOPS atuavam dentro das redações. O Estado de S. Paulo chegou a publicar receitas de bolo no lugar de textos vetados. Ao mesmo tempo, jornais alternativos como Opinião, Movimento e O Pasquim circulavam com críticas veladas. A TV Globo cresceu fortemente no período, beneficiada por incentivos governamentais, ajudando a construir, para parte da população, uma imagem positiva do regime.
A guerrilha armada existiu, mas foi rapidamente derrotada. A maioria de seus líderes foi morta ou presa. Relatórios como os da Comissão Nacional da Verdade (2014) confirmam que órgãos como o DOI-CODI utilizaram tortura sistemática — pau de arara, choques elétricos e afogamentos. Muitos dos responsáveis foram anistiados pela Lei de 1979.
A abertura política foi lenta e conduzida pelos próprios militares. O governo Geisel (1974–1979) iniciou a chamada “distensão”, temendo uma explosão social. Figueiredo (1979–1985) prometeu uma abertura “ampla, gradual e segura”. A campanha das Diretas Já, em 1984, foi derrotada no Congresso, mas enfraqueceu decisivamente o regime. O último presidente militar entregou o poder de forma negociada. Em 1985, José Sarney — civil, mas aliado do regime — assumiu após eleição indireta. Os militares saíram com as Forças Armadas intactas e influência política que persiste até hoje. A primeira eleição direta para presidente só ocorreria em 1989.
Na redemocratização, Tancredo Neves foi eleito indiretamente em 1985, mas faleceu antes da posse. José Sarney assumiu a Presidência. A Constituição de 1988 marcou a consolidação do processo democrático. Já em 1989, Fernando Collor de Mello venceu a primeira eleição presidencial direta após a ditadura, tornando-se o primeiro presidente eleito pelo voto popular desde 1960.
Lia Estevão - Jornalista
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