Foi pensando nisso que decidi trazer um pouco mais de contexto histórico e dados concretos para cá. A idéia não é convencer ninguém a mudar de lado, mas sim dar um gás para que a gente possa formar opiniões mais sólidas e conversar com parentes, amigos e colegas de forma mais tranquila — sem aquela tensão de "agora vai virar briga".
Então, nos próximos posts, vou tentar mostrar mais dados, mais história, mais papo de verdade. 😊
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DÉCADAS DE 60 e 70
As décadas de 1960 e 1970 foram um dos períodos mais intensos e contraditórios da história brasileira recente. De um lado, o chamado “milagre econômico” trouxe crescimento, modernização e uma sensação de otimismo para parcelas da população; de outro, a Ditadura Militar (1964–1985) impôs censura, repressão e violência política como nunca se tinha visto. Era uma sociedade em rápida urbanização, cheia de energia cultural, mas profundamente dividida e marcada pelo medo.
O golpe de 1964 derrubou João Goulart e instalou os militares no poder
com o discurso de combater o “perigo comunista”. Nos primeiros anos, muitos
brasileiros — especialmente nas classes média e alta — apoiaram ou aceitaram o
regime como mal necessário. A partir de 1968, porém, com o AI-5, o país
mergulhou nos “anos de chumbo”: fechamento do Congresso, cassação de direitos
políticos, censura prévia à imprensa, rádio e TV, tortura sistemática e
desaparecimento de opositores. Quem criticava abertamente o governo podia sumir
da noite pro dia.
A sociedade se rachou. De um lado, os que aplaudiam o regime (muitos
militares, grande parte da classe média conservadora, empresários e setores da
Igreja Católica). Do outro, uma oposição que ia de moderados a radicais:
estudantes, intelectuais, artistas, operários, camponeses e parte do clero
progressista. Surgiram guerrilhas urbanas (ALN, MR-8, VPR, PCBR) e rurais (como
a Guerrilha do Araguaia), quase todas esmagadas com extrema violência. O
movimento estudantil foi massacrado — a UNE foi colocada na ilegalidade e
muitos líderes mortos ou exilados.
Apesar da repressão, a vida seguia. Nas grandes cidades, especialmente Rio e São Paulo, crescia uma classe média consumista que enchia os shoppings recém-inaugurados, comprava eletrodomésticos financiados e assistia à novela das oito. A TV Globo, aliada do regime, ajudava a criar a ilusão de normalidade. Mas todo mundo sabia dos limites: piada política em voz alta podia custar caro, livros eram proibidos, músicas censuradas (Chico Buarque e Gilberto Gil que o digam), peças de teatro eram cortadas na tesoura do censor.
Foi exatamente nesse caldo de repressão que explodiu uma das fases mais
criativas da cultura brasileira:
- Tropicália (Caetano, Gil, Os
Mutantes, Tom Zé) misturava crítica política com experimentalismo.
- MPB engajada (Geraldo
Vandré, Edu Lobo, Chico Buarque) falava por metáforas.
- Cinema Novo (Glauber Rocha,
“Deus e o Diabo na Terra do Sol”) chocava e denunciava.
- Teatro do oprimido de
Augusto Boal.
- Jovem Guarda (Roberto Carlos, Erasmo, Wanderléa) representava o lado mais light e consumista da juventude.
Ao mesmo tempo, o rock brasileiro começava a dar as caras (Raul Seixas, Rita Lee) e o soul/funk chegava com força nos bailes black do Rio e São Paulo.
Os anos 70 também marcaram o início da revolução sexual e de costumes no Brasil: pílula anticoncepcional, minissaia, cabelo grande nos homens, biquíni cada vez menor nas praias. A mulher começou a entrar em massa no mercado de trabalho e na universidade. O feminismo ainda era incipiente, mas já havia sinais de mudança.
Enfim, os anos 60 e 70 foram de modernização acelerada, criatividade cultural explosiva e, ao mesmo tempo, de medo, tortura e silêncio forçado.
Lia Estevão - Jornalista
Produtora de fotolivros com fotos digitais impressas
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Gostei
ResponderExcluirMas acho que o Brasil já estava dividido antes de 64. E por essa razão houve o golpe.
Abraço
Concordo. É isso mesmo.
ResponderExcluir