Sonhos Não Gostam de Ficar no Acostamento


Antes que esta segunda-feira feche as portas e vá embora sem nem se despedir, faça uma coisa por você: não abandone seus sonhos no acostamento da vida.

Eles podem estar andando devagar, mancando, reclamando da subida e até pedindo um cafezinho para continuar. Tudo bem. O importante é que continuem em movimento.

Porque o problema não é chegar em último. Nem é errar o caminho de vez em quando. Triste mesmo é desistir da viagem antes de colocar o carro na estrada. É olhar para a pista de corrida e decidir que a arquibancada parece mais confortável.

Sim, haverá dias em que as lágrimas vão embaçar os óculos. Dias em que alguém dirá "não vai dar certo". Dias em que o vento mudará de direção justamente quando você tinha acabado de arrumar as velas.

Acontece.

Mas histórias não são escritas de uma vez só. Elas são reescritas a cada curva, a cada tropeço, a cada recomeço. E quem costuma chegar mais longe não é necessariamente quem enfrenta menos dificuldades. É quem aprende a não fugir de si mesmo.

A vida, convenhamos, está longe de ser um catálogo de rosas. Às vezes entrega espinhos, boletos, decepções e segundas-feiras particularmente mal-humoradas. Ainda assim, quase nada dura para sempre. Nem o calor sufocante, nem a tempestade mais teimosa.

Por isso, se eu pudesse dar um conselho para esta semana, seria simples: siga em frente.

Resmungue um pouco, se for o caso. Tome um café. Coma um pedaço de bolo sem culpa. Diga alguns "eu mereço" para si mesma. Depois continue.

Mantenha a cabeça erguida, os olhos curiosos e a coragem funcionando. Não pare no meio do caminho só porque o céu escureceu. Tempestades passam. Oportunidades voltam.

E lembre-se: a felicidade raramente toca a campainha e se apresenta na recepção. Normalmente ela entra pelos fundos, disfarçada de encontro inesperado, conversa boa, notícia simples ou um problema que, afinal, nem era tão grande assim.

Portanto, não desista dos seus sonhos. Eles podem até estar atrasados, mas, convenhamos, nesta altura da vida quase todo mundo está correndo atrás de alguma coisa: da forma física, do dinheiro, do tempo perdido, da senha do banco ou dos óculos que acabou de colocar na cabeça.

Boa semana. E siga em frente. De preferência sem perder os óculos.


Lia Estevão - Jornalista

Produtora de conteúdo digital

Produtora de fotolivros com fotos digitais 

Representante da moda Nathalis (SP) - fotos do texto

Tudo online por Whatsapp (16)  9.9165-4497

A Idade da Presença

Hoje, a mulher na faixa dos 60 anos — ou mais — tem a cabeça jovem, curiosa e atualizada. É bem humorada, apaixonada pela vida e cada vez mais universal. Ou deveria ser. Não importa o país em que vive. Ela compartilha anseios, interesses, preocupações, expectativas e prazeres semelhantes. Ainda assim, continua lutando por algo básico: a liberdade de assumir sua personalidade e escolher como deseja se mostrar ao mundo. Não, não vou falar de política.

Vou falar de moda como forma de expressão. Moda, essa linguagem viva que muda o tempo todo. Porque, quando algo permanece igual para sempre, deixa de ser moda e vira apenas roupa. E nós, mulheres, estamos em permanente transformação.

Ser mulher hoje é viver muitas versões de si mesma. Entre conquistas e desafios, ocupamos espaços, enfrentamos pressões e reinventamos caminhos diariamente. A moda acompanha esse movimento. Ela veste nossas fases, traduz nossos humores, reforça nossa presença e, às vezes, até nossa coragem.

Ao contrário do que acontecia com nossas avós, envelhecer já não significa desaparecer. Mas também não vou fingir que a sociedade facilita as coisas. Ainda nos cobram juventude, energia, pele firme, postura impecável e uma aparência constantemente renovada para que continuemos visíveis. É injusto? Talvez.

Mas, já que o jogo existe, podemos aprender a jogá-lo sem perder nossa autenticidade. E é justamente aí que a moda deixa de ser superficial. Ela se transforma numa ferramenta de comunicação silenciosa. Antes mesmo de abrirmos a boca, nossas escolhas contam uma história sobre quem somos e como desejamos ocupar o mundo.

Por isso, aqui vai uma sugestão simples, elegante e surpreendentemente eficaz para os dias mais frios: adote o branco como cor-coringa da temporada. O branco é uma das ferramentas mais poderosas e acessíveis para iluminar e revitalizar a imagem feminina na meia-idade. Ao contrário do velho mito de que apenas o preto favorece a silhueta, o branco tem uma qualidade rara: ele traz luz ao rosto. Funciona quase como um refletor natural. Suaviza sombras, ameniza a aparência de olheiras, destaca a luminosidade da pele e transmite uma sensação imediata de frescor e vitalidade.

E há outra vantagem: no inverno, quando predominam tons escuros e pesados, o branco quebra a monotonia visual e acrescenta sofisticação ao look. Um conjunto monocromático em branco ou off-white transmite refinamento sem esforço. Tricôs encorpados, lã, alfaiataria, couro e tecidos naturais ganham elegância instantânea quando aparecem em tons claros. Um sobretudo branco ilumina os dias cinzentos. Uma camisa branca próxima ao rosto potencializa o efeito iluminador. Cachecóis, golas altas e peças em fibras naturais ajudam a criar um visual contemporâneo, leve e sofisticado.

Porque, no fim das contas, moda nunca foi apenas sobre roupas. É sobre presença. E talvez uma das maiores liberdades da maturidade seja justamente esta: vestir-se não para parecer mais jovem, mas para refletir, com leveza e autenticidade, a mulher interessante que você se tornou.


Lia Estevão - Jornalista

Produtora de conteúdo digital

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