Silenciosamente, enfrentou dezenas de exames, procedimentos dolorosos, e intermináveis idas aos veterinários, na busca incansável por respostas e por uma chance de recuperação.
Silenciosamente, passou dias e noites internado em uma UTI veterinária, longe de seus cantinhos preferidos, recebendo medicações, soros e alimentação por sondas.
Silenciosamente, suportou as fraldas que limitavam seus movimentos, os curativos que sempre precisavam ser refeitos, e os medicamentos que já lhe custavam tanto engolir.
Silenciosamente, foi perdendo a visão, a lucidez e a liberdadede correr, brincar e explorar seu pequeno universo. Seu corpinho, antes tão cheio de vida, foi se transformando, marcado por feridas, nódulos e inchaços que ninguém conseguia explicar.
Silenciosamente, mesmo debilitado, ainda parecia querer lutar. Um guerreiro. Tentava levantar-se, dava alguns passos, caía, e tentava novamente. E nós, agarrados à esperança, continuávamos buscando uma resposta, um tratamento, uma possibilidade.
Silenciosamente, entre uma internação e outra, entre uma nova consulta e um novo exame, Ravi ainda nos olhava. Havia doçura naqueles olhinhos tristes, e nós procurávamos neles algum sinal de que ainda havia um caminho de volta.
Silenciosamente, fomos aprendendo a conviver com o medo, a angústia e a incerteza. E fizemos tudo o que estava ao nosso alcance, e até o que parecia impossível, porque amávamos demais esse menino tão pequenino para desistir de lutar.
Silenciosamente, seus dias foram se tornando mais longos, seus movimentos mais difíceis, seu sono mais frequente e sua respiração cada vez mais lenta.
Silenciosamente, ontem, nosso Ravi partiu.
Silenciosamente.
Juliana Estevão - Mãe do Ravi
Lia Estevão - Tia do Ravi
Isabeth Estevão - Tia do Ravi




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