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terça-feira, 29 de agosto de 2023

A crescente sombra da depressão em nossas vidas

 

A depressão é como uma névoa densa que envolve nossa mente. Muitas vezes, amigos, até parece que uma nuvem sombria nos acompanha dia após dia, ano após ano. Nada faz sentido e os sintomas são debilitantes, devastadores, difíceis de verbalizar. 

Cada vez mais presente na vida de milhões de brasilleiros, a depressão é bem mais do que uma simples tristeza passageira. Sentimentos persistentes de tristeza, desesperança e desinteresse, interferem significativamente no dia a dia do indivíduo. Na verdade, trata-se de um transtorno mental grave que pode minar a qualidade de vida, as relações pessoais, e a capacidade de realizar tarefas diárias.

A pessoa com depressão pode experimentar uma série de sintomas que incluem a perda de apetite, sensação constante de cansaço, sentimentos de inutilidade, dificuldade de concentração. Parece mesmo que, de repente, a gente dá um megulho profundo em um poço de desespero. Não importa a idade, gênero ou origem social, ela pode afetar qualquer pessoa em qualquer momento da vida. 


Causas? Podem ser fatores genéticos, desequilíbrios químicos no cérebro, eventos traumáticos, estresse crônico, isolamento social, solidão urbana mesmo em meio a multidões, problemas de relacionamento, pressão por alcançar padrões inatingíveis de perfeição, e até a estigmatização associada à saude mental...  Sim, queridos, tudo isso contribui para a escalada desse transtorno depressivo. 

Pode-se encontrar a luz no fundo do tunel?

A boa notícia é que sim, pois a depressão é tratável. Embora a situação possa parecer desanimadora, a combinação de terapia psicológica e, em alguns casos, medicação. tem mostrado ser eficaz no gerenciamento dos sintomas. Primeiro importante passo: reconhecer a necessidade de ajuda de um profissional de saude mental qualificado. Por outro lado, é fundamental fortalecer as redes de apoio, famílias e amigos que, de fato, fazem uma grande diferença na jornada de recuperação, ao oferecerem  um ambiente seguro para expressar sentimentos e preocupações.

Muitas pessoas conseguem reconstruir suas vidas quando enfrentam a depressão com coragem, determinação e o desejo de um futuro mais produtivo e feliz. 


Lia Estevão

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terça-feira, 19 de abril de 2022

Valorização, respeito e apoio. É tudo o que nossas jogadoras precisam

 Há tempos não escrevo sobre o futebol   feminino no Brasil. Desinteresse? Jamais. Desilusão? Talvez.

 Depois da trajetória impecável,   brilhante, do Red Bull Bragantino em   2021, campeão da série A2, e com   direito ao acesso para a primeira   divisão do Brasileirão Feminino, eu tive   um período de encantamento e de muita  esperança na evolução desse esporte tão  renegado às mulheres. Verdade é que nunca se falou tanto em futebol feminino, sua evolução e crescimento. Os jogos eram lindos de ver e os estádios quase sempre cheios indicavam, finalmente, um futuro promissor nesse universo dominado por homens, preconceituoso e machista.  

O time das bragantinas, e muitos outros por todo o país, fazia grandes espetáculos, jogando um futebol técnico, vertical, ofensivo, entrosado, e que davam prazer em acompanhar. Havia público e parte da grande mídia se fazia presente. Parecia que as garotas, finalmente, tinham encontrado seu espaço para brilhar, ao lado dos homens, e mostrar ao Brasil como o futebol feminino evolue.

Mas, o papel que a nossa sociedade ainda designa para as mulheres é secundário, nunca de protagonismo. Quando o campeonato brasileiro termina, parece que tudo se "normaliza": muito preconceito, pouco reconhecimento, nenhum investimento. Até quando?

Voltemos a Bragança Paulista e ao início do Brasileirão Feminino A1, em março de 2022. Do nada, penso eu, um "apagão" tomou conta das atletas. As mesmas que deram show no ano anterior. Agora, elas parecem dominadas pelo cansaço, pela desatenção, e até pela falta de comprometimento com a equipe.  Além de uma incrível falta de sorte, ou de pontaria, ou de treinamento. Como se o encantamento por estar onde querem, e merecem, tivesse desaparecido. Então, o totalmente inesperado aconteceu: 7 jogos, 6 derrotas, 1 empate. Campanha até agora terrivel.

Não querendo justificar mas, a verdade é que as mulheres sempre tiveram que conquistar espaço em cenários dominados por homens. Difícil. E no futebol, em particular, só mostrar talento é insuficiente porque, eles continuam dizendo, "futebol é coisa para homem". Será que esse apagão pode estar ocorrendo simplesmente por falta de incentivo, e de um apoio maior, da diretoria do clube? Será que elas recebem os mesmos cuidados do time masculino? Impossível mesmo é que as meninas, como mágica, tornaram-se atletas sem técnica e descompromissadas. Garanto que não.

De acordo com pesquisa feita pela Federação Internacional dos Jogadores Profissionais de Futebol, com a participação de 3.600 jogadoras, metade das atletas sequer recebe salário para jogar nos clubes. Elas conciliam o sonho de serem profissionais com outros empregos, para o próprio sustento. Claro que não é o caso do Red Bull Bragantino mas, quantas delas já não passaram por essa dificuldade até chegarem ao time de Bragança?  Realizaram um sonho e foram campeãs. Ficaram mais visíveis e  acreditaram numa nova realidade, mais promissora. Essa realidade se concretizou?

Em comparação com os homens, há extrema desigualdade em todos os setores do ambiente futebolístico: falta valorização financeira, visibilidade, reconhecimento e os investimentos e patrocinios sempre são destinados aos times masculinos. 

As mulheres ainda são vistas como um ser frágil, dependente, e são raras as oportunidades de provar o contrário, sendo lembradas não por seu desempenho mas por sua beleza e sensualidade. A mídia, por exemplo, não dá a mesma importância à atleta feminina como dá ao masculino e, quando abre uma exceção, a pauta principal geralmente é a beleza da mulher, o corpo, a sexualidade, e nunca o esporte em si. As exceções, lamento, ainda são pontuais.

Não existe valorização, respeito, apoio. Enquanto a mentalidade da sociedade não mudar, as mulheres sempre terão dificuldade em conquistar espaço, e permanecer nele. Pode estar nesse isolamento social o motivo maior do apagão bragantino.

"Não é a identidade feminina que requer reconhecimento, mas sim a condição das mulheres como parceiras plenas na interação social" (FRASER, 2000).

Abraço a todas

👍👍👍💁💁💁



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