sábado, 31 de maio de 2025

Frio? Só de pensar já tremi...crônica agasalhada

 Uma onda de frio resolveu dar o ar da sua graciosa presença (nem tanto) por estas bandas. Começou lá no Sul — claro, sempre começa por lá. A novidade deu no YouTube, logo de manhã, com aquele ar grave de quem anuncia uma calamidade. Confesso, bastou ouvir a notícia pra eu correr (ok, caminhar lentamente) até o guarda-roupa. Vou ter como me esquentar?

Abri a porta do armário como quem entra num sótão empoeirado e esquecido, e onde tem um cantinho reservado só para as roupas de frio — que, aliás, nem me lembrava mais que existiam. Mas lá estavam elas: camisas de manga comprida (que adoro), blusas de lã e de algodão, coletes, casacos de todos os comprimentos, pijamas de flanela com pezinho acoplado (sim, isso existe), mantas e cobertores que poderiam aquecer um urso polar, de tão pesadas. 

O curioso é que não lembro da última vez que usei qualquer uma dessas peças. O frio, simplesmente, não tem dado as caras. Mas será que neste outono ele vai aparecer todo prosa, achando que ainda tem moral entre nós? Espero que não.

Sendo bem honesta: não gosto de frio. Não suporto. Não romantizo. Ele me derruba. Fico acabrunhada (adoro essa palavra dramática), entediada, paralisada, desmotivada e, se deixar, até debilitada e com vontade de entrar em modo avião. O corpo congela, mãos e pés viram pedras de gelo. Meu organismo entra em protesto passivo-agressivo. Por isso, hoje, meias grossas e luvas quentinhas ocupam lugar de honra na lista de presentes ideais.

 Ah, e não posso esquecer das echarpes — bem coloridas, para aquele toque de alegria invernal — que protegem e embelezam meu lindo pescocinho. Tenho uma em cada lugar: casa, carro, trabalho. Sem falar nos gorros. Uso uns bem charmosos, no estilo das mocinhas de comédias românticas da Sessão da Tarde. Tudo na tentativa de descongelar o cérebro, coitado!

Com esse arsenal têxtil-emocional, acho que consigo sobreviver aos dias gelados — se eles resolverem aparecer mesmo. Como piso aquecido ainda não faz parte da minha realidade (fica a dica), começo a montar estratégias dignas de um curso de sobrevivência no Ártico.

E não pensem que estou exagerando. O frio é traiçoeiro. Sabiam que ele ataca principalmente as extremidades e áreas salientes do corpo? Tipo mãos, pés, orelhas, nariz... E aquele famoso “tremendo de frio”? Não é charme: é o corpo tentando se aquecer com movimentos involuntários.

Os especialistas dizem que o frio é uma sensação individual. Pode até ser. Só que a minha sensação de sofrimento começa aos 22 graus. Isso é frio pra você? Pois pra mim já é inverno rigoroso.

Aliás, neste exato momento, com 23°C, estou completamente agasalhada. Da cabeça aos pés. E se cair mais um grau, vou lá no "sotão" buscar aquele pijama com pezinho. 

Isso dito, tchau para vocês. Se não congelar volto semana que vem.

Lia 




Lia Estevão - jornalista

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quinta-feira, 15 de maio de 2025

Crônica da Bagunça Institucionalizada

Estes são dias de desordem, de caos. No universo global, ou quase, ninguém se entende, ou não quer entender. Sabem o que mais importa aos que, teoricamente, poderiam dar uma ajeitada nas sociedades? Dinheiro, poder, ostentação.

Os poderosos, hoje e desde o inicio dos tempos, sempre se consideraram superiores e, do alto de seus tronos, aliás, raramente conquistados com honestidade, moralidade, orgulham-se dos poderes adquiridos e querem mostrar sua força, não suas aptidões para o desenvolvimento das nações, e a felicidade dos habitantes. Amam governar, decidir o que se pode ou não fazer, até quem vai ou não morrer/viver. São escolhidos para fazerem X e fazem Y. Os impostos nos consomem, para eles fazerem a festa. Sem explicações, vão violando uma lei após a outra. E nós dizemos tudo bem. Amém.

Verdade é que ninguém ousa enfrentar os que nos manipulam. Afinal, eles vencem sempre. São como crianças mimadas, que não aprenderam a dividir, nem a sentir empatia pelas outras crianças. Esses pseudo-s poderosos brincam com as engrenagens do sistema vigente e até trocam qualquer peça, se julgarem necessário para a vitória de suas crenças/ideologias.

Já os não poderosos sucumbem.  Sem saber o porquê de suas vidas miseráveis. Como então reagir? Ao que reagir? Pior: ainda acreditam que tudo vai bem. Mas vai bem como? Os anos passam. A vida segue. Igual. Assim era nos anos 50, 60, 70, 80, 90. E igualzinha permanece em 2000, 2010, 2020...

Hoje, centenas de seres em todo o mundo não conseguem se alimentar e alimentar os seus. Outras centenas de seres morrem diariamente em guerras que sequer compreendem. As leis não são obedecidas, as instituições enfraquecem e a sociedade se sente desprotegida, receosa. Porém, privilégios permanecem intocáveis para os grupos dominantes.

Um contexto em que fatos são negligenciados, ou seja, não importam mais. A verdade já não importa. Prevalecem as narrativas apaixonadas, geralmente com duas visões, duas ideologias contraditórias.  E ficamos nós, feito uns idiotas, brigando por todo canto, sem saber o que é verdade ou mentira, sem análises, na superfície dos acontecimentos.


Chiiii...hora de pagar o IPTU, o IPVA, as parcelas do imposto de renda, o condomínio, o convênio médico, a luz, a internet, a segurança....

 

Lia Estevão - Jornalista/Publicitária

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terça-feira, 15 de abril de 2025

Marrom na primavera? Sim, senhora!

 

Sou Palmeirense mas...sobrinha 
trabalha no SPFC...então...
 Existe um complô silencioso contra o marrom. Uma conspiração   bege, talvez. Desde sempre, ele foi injustamente associado a coisas   tristes: terra seca, café requentado, uniforme escolar dos anos 70,   sofá de casa de vó. Ninguém diz "uau, que marrom incrível!". E,   no  entanto, o marrom resiste. Está ali, firme, resiliente, elegante.   O  marrom é o George Clooney das cores: melhora com o tempo.

 Na primavera, quando tudo grita cor, estampa, borboleta e flor,   ousar de marrom é um ato de subversão fashion. Enquanto o   mundo  aposta no fúcsia vibrante e no verde-limão radioativo,   você   aparece   de marrom cacau. Chique. Conceitual. Discreta   como   uma  boa   ironia.

 É preciso dizer: o marrom tem nuances. Ele não é só “cor de   cocô”, como dizia aquela sua prima infantil e sem imaginação. Ele   é caramelo, chocolate, canela, conhaque, café com leite, telha   molhada, terra molhada, tronco de árvore, creme brûlée. Tem mais   variações que tom de loiro em salão de bairro. E todas combinam   com algo.

A regra de ouro é simples: se você não quer parecer uma parede de repartição pública, jogue um toque de luz no look. Marrom com branco é minimalismo elegante. Marrom com azul claro? Surpreendente e sofisticado. Marrom com rosa antigo dá aquele efeito “sou romântica, mas sei negociar contratos”. E marrom com verde-oliva é puro Instagram de arquiteta em férias na Toscana.

Evite, apenas, a tentação de combinar marrom com marrom — a menos que você esteja indo encarnar uma árvore ou dar entrevista como especialista em fungos. Mesmo assim, acrescente um lenço turquesa. Ou um brinco dourado. A natureza agradece.

Então, nesta primavera, ouse. Vá de marrom. Mostre que a elegância não precisa gritar. Que dá para florescer mesmo em tons de terra. E que, às vezes, o que a gente mais precisa é de um bom marrom café, com um toque de creme e um pouco de coragem.



Lia Estevão - Jornalista
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segunda-feira, 31 de março de 2025

200 mil visualizações! É isso mesmo, 200 mil!

Amigos, quem diria? Aconteceu: o Blog da Lia ultrapassou 200 mil visualizações!

Estou sorrindo sozinha, demais da conta. Tudo bem, eu sei que não foi de um dia para outro. Foram anos de escrita, pausas, retornos, inspirações e bloqueios. Mas, convenhamos que 200 mil visualizações não é para qualquer blogueiro. E foi sem patrocínio, sem parcerias, sem publicidade, e sem o algoritmo me dando empurrãozinho. Só eu, meus textos e vocês do outro lado da tela.

Queridos, duzentas mil pessoas clicaram em algo que escrevi. Tudo bem que muitas delas, muitas mesmo, clicaram várias vezes, mas ainda assim, é MUITA GENTE!

Nesse período escrevi sobre comportamento humano, sobre o dia a dia, sobre mim mesma. Algumas vezes, inspirada e empolgada. Outras, nem tanto. Teve fase em que briguei com o mundo e parei de escrever. Teve momentos em que não entendia as pessoas (e suas idéias) e me afastava. E quando as contas pareciam se multiplicar como Gremlins molhados, então? Nem pensar em blogar. Mas, no fundo, sempre soube: eu voltaria. E voltei. Foram muitas idas e vindas.

Mas cá estou eu, 200 mil visualizações depois e com aquela vontade renovada de me comunicar. Confesso, entretanto, que precisei de certo preparo emocional para lidar com o fato de que quase ninguém comentava os textos ou clicava no "seguir". Aliás, um beijo para os nove corajosos que me acompanham desde o começo!

Decidi acreditar que isso tudo era apenas... Preguiça digital. Aquela mesma que faz a gente ler só o começo das coisas ou pular direto para os comentários. Ou melhor: que nos faz passar horas no Tiktok e no Instagram sem perceber o tempo voando.

Mas... querem saber? Nada a reclamar.

Agora me digam: como devo comemorar?
Compro flores? Um bolo? Ou convido vocês a brindar comigo? 200 mil visualizações merecem, sim, um belo brinde.



Lia Estevão - Jornalista

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quinta-feira, 27 de março de 2025

A verdade sumiu... e agora?

Amigos queridos,

Estou completamente mergulhada em dois livros que, além de me encantarem, têm me levado a refletir sobre questões políticas, sociais e, sobretudo, sobre a natureza humana. Duas obras que, separadas por décadas, parecem dialogar perfeitamente com os tempos em que vivemos. São eles: Flores para Algernon, de Daniel Keyes, e 1984, de George Orwell.

O primeiro é um soco no estômago e um afago na alma ao mesmo tempo. Um livro que nos faz pensar sobre inteligência, autoconhecimento e os limites éticos da ciência. A trajetória de Charlie Gordon é de uma beleza comovente, mas também uma advertência silenciosa sobre o preço da consciência. Já 1984, por sua vez, é um verdadeiro manual do pesadelo distópico. Um alerta sobre os perigos do controle absoluto, da manipulação da verdade e da reescrita da história. Como se Orwell tivesse espiado o futuro e decidido nos deixar um bilhete desesperado: "Cuidado!". Mas, ironicamente, parece que ninguém leu o bilhete. Ou, se leu, resolveu usá-lo como manual de instruções.

À medida que avanço nessas leituras, me vejo tomada por uma inquietação que oscila entre o incômodo e o desespero. Como chegamos até aqui? Como conseguimos transformar a realidade em algo tão absurdamente próximo da ficção? Para onde foi a verdade, aquela velha conhecida que outrora julgávamos inquestionável? Terá se mudado para algum exílio secreto, cansada de ser distorcida e reinventada? Ou será que nunca existiu e nós apenas fingimos acreditar nela?

Sempre acreditei na força do jornalismo, na honestidade dos que narram os acontecimentos, na coragem dos que trazem luz às sombras. Mas, hoje, confesso que me sinto órfã. Perdida em um mundo onde cada um parece ter sua própria versão dos fatos, cuidadosamente editada para caber dentro de uma bolha confortável e inquestionável. Vivemos tempos em que o conceito de verdade se tornou tão flexível quanto a opinião de um político em campanha. Se a realidade não agrada, basta reinventá-la, adorná-la com narrativas convenientes e distribuí-la ao público sedento por certezas absolutas.

E assim seguimos, cada um segurando sua própria verdade como se fosse um troféu inegociável, enquanto a realidade objetiva se desfaz no ar, como um castelo de areia varrido pela maré. Talvez seja esse o verdadeiro legado de 1984: a constatação de que a verdade não desaparece de uma vez, mas sim aos poucos, em pequenas doses, até que um dia acordamos e já não sabemos mais no que acreditar.

Mas ainda me resta um fio de esperança. Porque, no fim, a literatura segue sendo esse espaço sagrado onde a dúvida é permitida, onde os questionamentos são bem-vindos e onde, quem sabe, possamos encontrar alguma resposta. Ou, ao menos, as perguntas certas.

Por isso, leio. E sigo perguntando. Você também sente isso?


Lia Estevao - Jornalista


segunda-feira, 17 de março de 2025

"São Paulo faz história, mas quem se importa com o futebol feminino?"

Foi um jogo digno de aplausos!  No sábado (15), São Paulo e Corinthians fizeram uma final de tirar o fôlego na Supercopa Feminina de 2025. Passes precisos, jogadas articuladas, raça, técnica, tudo no mais alto nível. No fim, emoção pura: nos pênaltis, o São Paulo venceu o Corinthians e conquistou um título inédito. Histórico!

Mas… e a torcida? Cadê as arquibancadas lotadas? Cadê as mulheres vibrando nas cadeiras do estádio? O que se viu foi um vazio deprimente. De novo.

E antes que digam que estou sendo repetitiva: sim, estou. E vou continuar até que algo mude. Não adianta apenas elogiar o talento das jogadoras se, na prática, o apoio ao futebol feminino ainda é tímido. Ou conversamos e cobramos, ou seguimos exibindo títulos históricos em estádios quase desertos.

O futebol masculino ainda domina, claro. O sistema é deles, os patrocínios também, e as regalias… ah, essas nem se fala. Mas não são heróis. Heroínas são as mulheres que driblam todas as dificuldades para manter o futebol feminino vivo e forte.


Porque, sejamos honestos: o jogo evoluiu, mas a desigualdade segue firme. Salários, premiações, investimentos… tudo continua desproporcional. A luta por respeito e condições dignas ainda precisa ser travada a cada rodada.

Mas há esperança. O futebol feminino cresce, mesmo que a passos lentos. Ligas profissionais se espalham pelo mundo, o investimento aumenta e, aos poucos, os fãs e patrocinadores chegam. Ainda não é o ideal, mas já faz diferença.

A tecnologia também pode nos ajudar. Com o avanço das melhorias via streaming e novas formas de engajamento digital, o público tem mais acesso aos jogos. A inteligência artificial e outras inovações podem dar o empurrão que falta para consolidar a modalidade de vez.

E, enquanto isso, dentro de campo, o São Paulo segue firme. Conquistou seu primeiro título da Supercopa e cortou a hegemonia do Corinthians, tricampeão da competição. Agora, o tempo do técnico  Thiago Viana, vai todo para a conquista dos outros quatro campeonatos da temporada: Paulista, Brasileiro, Libertadores e Copa do Brasil.

Que não tenhamos mais uma final com jogo dentro do campo... E silêncio nas arquibancadas.

Que assim seja!

 

Lia Estevão - Lia Estevão

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sábado, 8 de março de 2025

Acordei com saudade, dormi com os pés doendo - Obrigada, Banda Doce Veneno!

Acordei na segunda de carnaval com uma nostalgia daquelas. De repente, bateu aquela saudade gostosa dos meus amigos Wagner Augusto, Neto Muccillo e Claudinho Munno, da Banda Doce Veneno. Faz tempo que não os vejo pessoalmente, porém, graças às redes sociais, sei exatamente por onde andam. Pensei... São meus amigos, será que devo procurá-los?  Ponderei, refleti… por longos 30 segundos. E, claro, decidi que sim, pois queria muito vê-los!

Conheci esses meninos por volta de 2001, assim que cheguei a São Carlos. Num show de carnaval no São Carlos Clube. Músicos extraordinários. Desde então, deixei a jornalista de lado e virei apenas uma das muitas admiradoras apaixonadas pela Banda.

O tempo passou e nossos caminhos foram se cruzando. Em 2007 trabalhamos juntos, por uns três anos, no evento-espetáculo “São Carlos Moda Show” – um projeto beneficente que unia moda, música e literatura, e rendia boas matérias em revistas e jornais da região e da capital. Era glamour, cultura, diversão! E ainda fortalecia o comércio da cidade.

Na época, mais próxima de todos, até sonhei em ser uma espécie de “integrante extra” do grupo: queria ajudar no marketing, cuidar da divulgação, produzir fotolivros com histórias e fotos dos bastidores, acompanhar os shows do grupo mundo afora... Enfim, queria ser parte do dia a dia deles. Mas o tempo, esse danado, correu mais rápido do que eu. E a gente sequer chegou a sentar para um café e colocar o papo em dia.

Mesmo assim, sempre acompanhei a trajetória da Banda Doce Veneno. Sempre estive por perto, vibrando, torcendo pelo sucesso desses garotos. Então, quando vi que eles iriam tocar no carnaval 2025 do São Carlos Clube, nem pisquei: fui correndo!

E posso dizer? QUE SHOW! Vibrante, incansável, explosivo! Eles continuam com a energia em dia, vibrantes, poderosos, entusiasmados, dominando o palco e a platéia com a maestria de sempre. É impressionante ver como, depois de mais de quatro décadas de estrada, a Banda Doce Veneno segue firme no propósito de fazer todo mundo dançar, cantar e sair “da festa” com um sorriso no rosto e muito brilho no olhar.

Saí do show com uma certeza: algumas coisas não mudam, e ainda bem! A música dos meninos permanece executada com perfeição, em arranjos modernos e incríveis: a intensidade, o vigor e a eficiência da Banda seguem lá no alto.

Minha saudade? Bem... Vinte anos depois e eu ainda querendo um lugar no camarim!

 



Lia Estevão - Jornalista

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